O governador Cláudio Castro decidiu mexer numa das áreas mais sensíveis da articulação política do estado e, de quebra, colocou mais lenha na crise com o União Brasil. Neste domingo (22), durante o evento de filiação da deputada federal Dani Cunha ao PL, Castro anunciou que o deputado estadual Jair Bittencourt será nomeado nesta segunda-feira (23) para a Secretaria de Governo. No discurso, abraçado ao aliado, o governador tratou a escolha como gesto de coragem e vinculou a mudança à transição de governo e ao projeto eleitoral do partido.
A fala de Castro não foi discreta. Ao apresentar o futuro secretário, ele deixou claro que a nomeação tem peso administrativo e também eleitoral. “Jair Bittencourt, que é deputado estadual, tinha uma reeleição muito tranquila, mas aceitou o desafio e amanhã está sendo nomeado secretário estadual de Governo”, disse o governador. Logo depois, emendou outro recado, mais político do que institucional: “garantir que o PL será o recordista de deputados na próxima eleição”. Cláudio Castro.
A escolha tem efeito direto sobre a relação com o União Brasil porque a Secretaria de Governo vinha sendo associada ao espaço político de André Moura, quadro do partido e nome influente no entorno de Antônio Rueda. A tensão já vinha crescendo nas últimas semanas. No início de março, André Moura foi exonerado da representação do governo fluminense em Brasília, depois de pressão do PL e de setores da Alerj. A nova movimentação aprofunda a sensação, entre aliados, de que o partido de Castro quer concentrar cada vez mais espaços na reta final do mandato.
Nos bastidores, a irritação do União Brasil não é pequena. A conta feita por deputados e dirigentes é que o PL não quer apenas a Secretaria de Governo. Quer também o comando do mandato-tampão no Palácio Guanabara, a presidência da Alerj e ainda ampliar sua presença em outros espaços de poder. Esse movimento preocupa porque a base governista está longe de uma unanimidade, e os votos do União viraram peça central para qualquer arranjo que passe pela eleição indireta e pela disputa interna na Assembleia.
A escolha de Jair Bittencourt também tem valor simbólico dentro do próprio PL. Ele é tratado como quadro estratégico do partido, forte nos bastidores da Alerj e com base consolidada no interior, sobretudo no Noroeste Fluminense. Em dezembro de 2025, ele deixou a Secretaria de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar para voltar ao mandato na Assembleia, num movimento articulado com o próprio governador. Agora, retorna ao primeiro escalão em posição ainda mais poderosa.
No fim, a nomeação de Jair Bittencourt vale por duas mensagens. A primeira é interna: Cláudio Castro quer o PL no centro do tabuleiro na reta final do governo. A segunda é externa: o espaço para acomodar aliados está diminuindo. E, num momento em que a base já anda rachada, mexer justamente na Secretaria de Governo tem potencial de transformar desconforto em crise aberta.
Com informações do Tempo Real.








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